Equipe de apoio

Bengala, andaime, espátula, viga, bastão, badine, muleta. Instrumentos de apoio servem pra dividir o peso, pra auxiliar numa tarefa, ajudam nas situações em que seu esforço não dará os plenos resultados. Tem gente que precisa deles pra vida toda, mas em alguns casos a necessidade é por determinados momentos. Ouvi a história de um homem que conseguiu andar depois de muitos anos usando a bengala. Foi ótimo andar sozinho, mas ele não jogou fora sua companheira, saber que ela estava ali caso ele precisasse já era um grande apoio.

Uma bengala com chamas igual a do Dr House não seria ruim pra mim, não porque não consigo andar, mas porque preciso de apoio. Tive um dia estranho,  alias dias estranhos, daqueles nos quais o dia vai acabando e eu lembro que não comi, não penteei o cabelo, não tive tempo … Uma viga na qual eu pudesse me encostar enquanto tomo um cafezinho, que me contasse uma coisa engraçada,  e que mesmo por piedade fosse sensível  a tudo que se passa e não um peso.  Seria bom.

Admiro as pessoas que passam por coisas sem apoio de ninguém, a mãe que cuida sozinha do filho, aqueles que cresceram sem família,  os que conquistaram o sonho  por teimosia, mas não estou assim, estou frágil. Vi uma coisa horrível, vi nos olhos  um imenso ego, vi que eu não existo, existe somente o que eu posso fazer , assim ficou as coisas ficaram claras, estou sozinha , e tudo não passa de aparências .

Hoje fui levar minha mãe no hospital, e em pronto socorro você vê de tudo, eu estava sentada perto da porta, pensando  em o que fazer  com aquela senhora teimosa, que não quer facilitar as coisas,  foi quando chegou uma mulher trazendo a avó que  passava mal, ela estava desesperada, o pai dela tremia, a Senhora foi colocada na cadeira de rodas e   a levaram pra dentro da SO, foi tudo tão rápido, uns gritos, gente correndo e  pronto. Mas quando a porta fechou um menino ficou pra fora, ele devia ter uns 7 anos, sujo de brincar na rua, ele parecia  assustado olhando pra todos os lados ,  e olhou pra mim com o olhar mais perdido do mundo, cara de gotinha como dizia uma amiga.  Não sei se ele se viu em mim, ou eu me vi nele, ou se partilhávamos do mesmo olhar…De repente a porta abre e a mãe dele aparece, ela diz bem rápido “Mamãe vai ficar com a vó lá dentro, espera que logo tudo vai ficar bem!”,  uma pequena atitude de apoio, nada mudou, ele continuou sozinho ali num hospital, mas parecia uma outra criança, sentou e foi ver televisão.Eu olhei pro lado e lá estava minha mãe, falando, falando e falando , perdida na cabeça que está falhando…    Apoio… Só de vez em quando, seria bom.

Lembrei daquele versículo que Jesus disse não ter nem onde encostar a cabeça, lembrei de outro que diz que há tempo pra todas as coisas,  e respirei fundo. Enfrentei o médico e voltei pra casa pra enfrentar  as discussões que deixei pela metade, daí encontrei meu filho, e ele veio correndo pra mim e me abraçou…Será que é crueldade se apoiar num bebezinho?  Mas é tudo que tenho por hora, até comprar uma muleta.

Espero não me tornar, também,  aquele que ajuda a estragar o que já está ruim ou o que coloca mais peso na sacola que está rasgando, porque hoje sei que é difícil demais segurar o peso. Que Deus me ajude!

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