Vermizinho

A janela parece grande demais para mim. Tudo ao meu redor está inalcançável. A mesa vista daqui não tem fim. Procuro um cantinho seguro, longe destes pés enormes que volta e meia tentam me esmagar. Sei que não é de propósito, eles nem me vêem. Estou pequena, menor que uma formiga, invisível a olho nu, menor que o Pequeno Polegar. Totalmente pequena, minúscula e impotente. E deste ângulo tudo é diferente. A gota de água é um temporal, as migalhas um banquete e a solidão a realidade. Na verdade não sei como fiquei assim, só me lembro dos últimos dias…

Mais contas que dinheiro, mais desprezo que amor, mais cobranças que auxílio, mais trabalho que tempo, mais grosserias que ternura… Lembro da sensação de carregar o mundo nas costas, pesado! Lembro do aquecimento global, das drogas na escola, do casamento gay, da violência contra a mulher, dos assaltos a banco, e da chuva… Uma forte chuva pela tarde e, de repente, eu estava pequena, com voz grave e baixa, com braços curtos e completamente impotentes.

Por favor, não me julguem. Às vezes não é possível ser uma potência espiritual, nem sempre se consegue pular, profetizar, rodopiar, e, se você não concorda comigo, por favor, nem continue a ler, isso não é para você. Escrevo isso para aqueles que um dia, como eu, se sentiram tão insignificantes e impotentes que pensar em Deus enche os olhos de lágrimas e faz suspirar o coração. Para aqueles que um dia foram pisados, humilhados, ou simplesmente atropelados pela supermáquina das igrejas, que nunca podem parar, que mal podem te ouvir, que querem números, mas que não viram quando você se machucou. Para pessoas comuns que convivem com uma saudade insuportável de alguém que se foi, de alguém que não vai voltar. Pessoas que se deparam com vícios, com decepções, com desemprego, adultério, com este mundo cruel que as reduz a menos que uma formiga, invisível a olho nu, a menos que nada. Minha descoberta é pra vocês.

Estava eu tentando sobreviver de migalhas, fugindo de gota de água , quando olhei pro alto e vi uma enorme lupa com um olho bem grande nela, coisa de desenho animado, e ouvi isso:

“Você é pequeno e fraquinho, mas não tenha medo, pois eu, o Santo Deus de Israel, sou o seu Salvador e o protegerei…!”

O quê? Como assim? Cheguei a ouvir: Vermezinho de Jacó . Deus me vê, não importa o quão impotente eu seja, não importa se eu não pulo, rodopio, dou um mortal e oro em línguas, nem se eu reuni milhões num estádio, Ele me vê e me protege.

A grande descoberta é que Deus tem uma lupa, assim não tem como fugir, em alguns versículos Ele diz: “Vos escolhi como povo pequeno…” Por menor que seja, não há como deixar isso de lado. Com sua superlupa Ele vê nossa cara de stress nos dias de caos, Ele vê as lágrimas da saudade, do desespero e repete sempre: “Eu te protegerei, sou seu Salvador”. Nada de viver de migalhas, de baixar os olhos ante a violência, de se sentir só, ninguém vai pisar em você. Deus não vai deixar. E daí que as pessoas não nos valorizam, que falte o dinheiro e que o mundo esteja esse grande bagunça? Deus diz que nos protegerá.

Quero terminar dizendo que logo após encerrar este artigo vou fazer como Didi fez no Cristo Redentor há muitos anos… Vou escalar até poder deitar nas mãos do meu Salvador e dormir sossegada. Experimente fazer isso também. Você vai ver que de lá são as outras coisas que ficam pequenas.

E que diminua eu…para que Cristo cresça em mim!

 

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